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Jumentos entram em risco de extinção no Nordeste

Para tentar frear a ação, entidades de defesa dos animais se mobilizaram e, em dezembro do ano passado, conseguiram uma liminar na Justiça para suspender os abates na Bahia, onde há o maior número de abatedouros.

11/07/2019 17h33
Por: Redação
Fonte: Diário Sertão Central
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O jumento está em risco de extinção. O animal-símbolo do Nordeste perdeu espaço para motos nas propriedades rurais do semiárido e virou alvo de cobiça dos chineses. A informação é do Diário do Nordeste.

Quando não abandonados nas estradas ou vítimas de atropelamentos, os animais são levados para abatedouros e têm a carne exportada para a China. O volume de exportações, no entanto, vem aumentando ano a ano:
Em 2016 – 24,9 mil toneladas;
Em 2017 – 40,7 mil toneladas;
Em 2018 – 226,4 mil toneladas.

Para tentar frear a ação, entidades de defesa dos animais se mobilizaram e, em dezembro do ano passado, conseguiram uma liminar na Justiça para suspender os abates na Bahia, onde há o maior número de abatedouros.

O Governo baiano e os abatedouro entraram com recursos, contudo, ainda não foram julgados.

O salto no número de exportações de carne de cavalos, muares e asininos, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, ocorreu após a entrada de jumentos nas cotas de abate.

Ao todo, no Brasil, há seis abatedouro ou frigoríficos autorizados a abater equídeos, incluindo asininos, sendo três unidades na Bahia e as demais em Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

A decisão judicial que suspendeu o abate na Bahia ainda está em vigor, de acordo com o Ministério.

Atualmente, o rebanho de asininos no Nordeste está quantificado em 812,4 mil cabelas, representando 90% do efetivo brasileiro.

A situação só não está pior para esse asininos por causa da atuação das organizações de defesa dos animais. No fim do ano passado, em Canudos, interior baiano, cerca de 200 jumentos estavam presos, em condições de extremos maus-tratos, à espera do abate para terem a carne e o couro exportados para a China.

Outros 800 animais vagavam pela fazenda, doentes e com fome – carcaças achadas na propriedade revelaram que ao menos 200 já haviam morrido. A polícia descobriu que a fazenda tinha sido arrendada por chineses, que adquiriram cerca de mil animais trazidos de várias regiões do Nordeste.

Os animais seriam levados para abate em um frigorífico da região. A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar os maus-tratos.

A promotora Cristina Seixas Graça, coordenadora do centro de apoio às Promotorias do Meio Ambiente da Bahia considerou que muitos animais morreram de inanição e notificou a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab). A empresa dos chineses foi multada em R$ 40 mil.

A advogada Gislane Brandão, coordenadora da Frente Nacional de Defesa dos Jumentos, descreveu o cenário de horror que encontrou na fazenda de Canudos. “Havia dezenas de jumentos mortos, muitas carcaças espalhadas pelo campo. Os animais sobreviventes estavam desnutridos, pois ficaram meses sem alimentação.”

Em janeiro, a ONG Fórum Nacional de Proteção e Defesa de Animal assinou acordo com a Justiça e Ministério Público para receber e cuidar dos jumentos sobreviventes. O Fórum recebeu a tutela de 800 deles, livrando-os do abate. Uma parte foi adotada por pessoas da região e criadores comprometidos com a causa animal.

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