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Privatização dos correios: sucatear para entregar - Por Maikon Cavalcante

Vender os Correios por este ter sido saqueado nos anos anteriores não faz lógica alguma. É como decidir cortar o braço fora quando a unha apodrece.

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Café e DireitoMaikon Cavalcante - Acadêmico de Direito da Unicatólica de Quixadá e Estagiário credenciado a OAB/CE nº 7058-E

30/04/2019 11h21Atualizado há 5 meses
Por: Redação
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Reprodução da Internet
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O sentimento de insatisfação e aborrecimento com o serviço prestado pelos Correios não é de hoje. A grande questão em torno da problemática são os porquês do acontecido. Recentemente o Governo Federal deu ‘‘sinal verde’’ para a privatização dos Correios. O tema gera polêmica, mas o cerne do assunto está em extrair as ideias que causam tais privatizações e principalmente o histórico delas na terra tupiniquim.

Imperioso analisarmos os exemplos do cenário internacional na privatização das agências postais: coincidentemente em meio a crises de corrupção, a Argentina privatizou sua agência nacional em 1997. Resultado? O serviço continuou o mesmo e as tarifas aumentaram, culminando na reentrega para o Governo no ano de 2003. Em Portugal não foi diferente: a privatização ocorrida em 2014 ensejou queda no lucro da empresa de 11% deixando ainda 33 municípios sem agência.

Questionado sobre o motivo do plano de privatização, o Presidente – no Twitter como sempre - retrucou: ‘‘tem que rememorar que a empresa foi o foco de corrupção do mensalão’’. A justificativa além de ilógica e desproporcional nos faz lembrar do criminoso plano que os governos anteriores usavam a fim de justificar a desestatização.

Passo a passo de uma jogada perfeita: definida a empresa pública à privatizar, o Estado inicia o descarado sucateamento das estatais: não realiza concursos públicos, não investe em melhores condições de trabalho, não fiscaliza, não cria metas. Com isto, cria-se um sentimento de inutilidade daqueles serviços. O próprio governo deixa que a empresa pereça e transmita inconscientemente um sentimento de que algo está errado. É essa a hora do xeque-mate: Vamos privatizá-la.

A privatização por si só não é ruim, desde que feita de forma razoável e proporcional ao prejuízo causado aos cofres públicos. Entretanto nos últimos dois anos os Correios atingiram lucro líquido de 828 milhões de reais, nada mal para uma empresa que se recupera de sucateamento e casos de corrupção. Vender os Correios por este sido saqueado nos anos anteriores não faz lógica alguma. É como decidir cortar o braço fora quando a unha apodrece. Ora, a corrupção é um câncer nosso, estritamente pessoal e político e a soberania nacional não pode arcar com tais prejuízos.

Mais repugnante ainda foram as formas que se deram as últimas privatizações ‘‘à brasileira’’. Nosso histórico não é muito animador, com a mesma justificativa (crise de corrupção e endividamento) o Brasil vendeu o campo de Carcará um dos mais valiosos do Pré-sal, por US$ 1,35 dólar o barril (valor de uma lata de refrigerante) a uma estatal norueguesa, segundo dados da Federação Brasileira de geólogos.

Trata-se na verdade de entreguismo disfarçado de nacionalismo, sacramentando e enterrando o orgulho pertencente aos brasileiros. A nossa natureza vai sendo sacrificada e nossas riquezas sendo entregues. Segue o esfacelamento da nação, tudo em nome de um modernismo, liberalismo que a globalização impõe. Será mesmo que é vantajoso? O Brasil parece que volta aos tempos de colonização e que o hino da independência já não faz sentido:

nosso peitos, nosso braços já não são muralhas do Brasil. E bate uma saudade da ‘‘brava gente brasileira’’, que dizia: longe vá esse temor servil!

 

Por Maikon Cavalcante

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