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Política

25/10/2018 às 13h33

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Redação

Boa Viagem / CE

Militares defendem mais moderação a campanhas na reta final da eleição
As atenções da cúpula da Defesa estão mais concentradas em Bolsonaro, mas o PT também ouviu alertas
Militares defendem mais moderação a campanhas na reta final da eleição
A cúpula da Defesa também se preocupa com possíveis atos violentos após o segundo turno Foto: Miguel Schincariol/Daniel Ramalho/AFP

A entrada de elementos militares na discussão entre as campanhas de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) levou a cúpula da área de Defesa no país a fazer chegar às candidaturas um pedido por moderação na reta final da disputa.


Como Bolsonaro é o favorito para vencer o segundo turno, no domingo (28), as atenções estão mais concentradas no capitão reformado do Exército. Mas o PT, que procurou militares para conversar, também ouviu alertas.


Do lado do PSL, a preocupação maior foi com o vídeo no qual um dos filhos de Bolsonaro, o deputado reeleito Eduardo, diz que é fácil fechar o Supremo Tribunal Federal (STF) com "um soldado e um cabo" em caso de contestação judicial da vitória de seu pai.


Ainda que considerem que Eduardo falava em tom de blague, a menção à força militar contra o Judiciário por parte do filho mais midiático de Bolsonarocontrariou oficiais, segundo alguns deles.


Os militares contam com o general da reserva Augusto Heleno, anunciado ministro da Defesa caso Bolsonaro seja eleito, para exercer o papel de moderador desses impulsos.


Heleno, um general de quatro estrelas (topo da hierarquia), deixou o serviço ativo em 2011. Em 2017, começou a atuar na pré-campanha de Bolsonaro, a quem já conhecia, e quase foi seu vice.


A preocupação não é tanto com o Bolsonaro candidato, persona a qual oficiais generais costumam atribuir seus arroubos mais agressivos.


Mas sim com o eventual Bolsonaro presidente, cuja palavra poderá ser levada ao pé da letra por estratos sob o guarda-chuva do Estado.


É o proverbial guarda da esquina, que se excede empolgado pelo que crê ser uma carta branca vinda de cima, como teria dito o vice-presidente Pedro Aleixo quando debatia o AI-5, ato que endureceu a ditadura há 50 anos.


Nesse sentido, a fala de Bolsonaro no domingo (21), prometendo "varrer inimigos vermelhos", prender Haddad e criticar a Folha de S.Paulo por suas reportagens sobre o papel do WhatsApp na campanha caiu muito mal na cúpula.


Bolsonaro, fiel a seu estilo à la Donald Trump de bater e depois recuar, até tentou minimizar o que falou, exceto no caso do jornal.


Mas a cúpula espera uma declaração firme, mesmo que depois do resultado do pleito, para amainar ânimos.


Há também uma preocupação com atos violentos após a eleição.


Do lado petista, o desconforto veio pela acusação feita por Haddad na terça (23) de que o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), vice na chapa de Bolsonaro, teria sido um torturador.


O petista repetiu o que dissera o cantor Geraldo Azevedo, preso pela ditadura em 1969, durante uma apresentação. A questão é que Mourão tinha 16 anos na época e estava no colégio militar.


Mourão, general de quatro estrelas, era integrante do Alto Comando do Exército, centro de gravidade militar do país, até o fim de fevereiro.


Se não é unanimidade, é respeitado e influente. Faz parte de uma geração que cresceu no oficialato pós-1985, e considera ter tido de absorver os maiores ônus da transição da ditadura para a democracia.


Um petista procurou militares para tomar pulso da situação e ouviu queixa para transmitir a Haddad.


O petista até se desculpou pelo erro factual, mas voltou a criticar o fato de que Mourão e Bolsonaro declaram admiração aberta por Carlos Alberto Brilhante Ustra, que chefiou o DOI-Codi, centro de torturas na ditadura.


Além de Heleno, o general da reserva Fernando Azevedo e Silva é outro esteio do arcabouço informal que se montou entre as instituições à medida que a candidatura de Bolsonaro passou a ser vista como uma realidade viável.


Ele deixou o Alto Comando e foi assessorar o novo presidente do Supremo, Dias Toffoli, movimento acusado como de tutela no meio jurídico.


Seus apoiadores creem que ele servirá como um facilitador na transmissão de informações, até para reduzir o potencial de crises quando verborrágicos bolsonaristas ocuparem lugares de destaque no novo Congresso.


Silva é um ano mais velho que Bolsonaro na academia de formação de oficiais, e ambos serviram juntos na Brigada de Infantaria Paraquedista.


É uma costura delicada. Como a Folha de S.Paulo descreveu nesta segunda (22), a cúpula da área teme que a natural identificação entre as Forças e um eventual governo que se propagandeia como militarizado possa causar danos institucionais.

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