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Bolsonaro reforça discurso anti-PT para evitar ser vítima do voto útil

A estratégia de Bolsonaro é uma resposta ao discurso de Alckmin, que tem repetido que Bolsonaro é o passaporte para a volta do PT ao poder, dentro da avaliação de que o candidato do PSL perderia na reta final até para Haddad.

17/09/2018 21h00
Por: Redação
Fonte: G1
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Bolsonaro durante transmissão ao vivo no Facebook no último domingo (16) — Foto: Reprodução/TV Globo
Bolsonaro durante transmissão ao vivo no Facebook no último domingo (16) — Foto: Reprodução/TV Globo

O candidato do PSL, Jair Bolsonaro, saiu da UTI no domingo (16) e não perdeu tempo. Fez a primeira transmissão ao vivo na internet desde o atentado que sofreu em Juiz de Fora (MG) com um objetivo definido: atacar o PT, falar que Fernando Haddad, eleito, assina indulto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o nomeia chefe da Casa civil, tudo para reforçar sua imagem de candidato antipetista, que conseguiu tirar de Geraldo Alckmin (PSDB).

Com isso, ele quer atrair eleitores que não querem a volta do PT ao Palácio do Planalto, de olho na rejeição do eleitorado aos petistas, e evitar perder votos para o tucano a três semanas da eleição. A estratégia de Bolsonaro é uma resposta ao discurso de Alckmin, que tem repetido que Bolsonaro é o passaporte para a volta do PT ao poder, dentro da avaliação de que o candidato do PSL perderia na reta final até para Haddad.

Geraldo Alckmin prometia decolar no prazo de 10 a 15 dias após o início do programa gratuito no rádio e na TV, baseado no seu maior tempo na propaganda eleitoral. Quase metade do horário. Só que isso não só não aconteceu como ele ficou estacionado no quarto lugar das pesquisas. Agora, a última aposta dos tucanos, a 21 dias da eleição, é a pregação do voto útil, que Alckmin vem entoando nos últimos dias, ao afirmar que Bolsonaro no segundo turno seria uma garantia de vitória do PT. Dentro da estratégia de tentar recuperar votos antipetistas que foram para o candidato do PSL e atrair indecisos para sua campanha.

Aliados acreditam que a tática pode dar certo, depois de o maior tempo de TV não dar o resultado esperado inicialmente. A avaliação no ninho tucano é que, quando ficar claro que o segundo turno pode ser disputado por Bolsonaro e Haddad, dois candidatos de polos extremos, direita e esquerda, parte do eleitorado pode parar e redefinir seu voto em Alckmin. Neste caso, os aliados do tucano esperam, inclusive, que votos que estão atualmente indo para João Amoedo e Henrique Meirelles, candidatos de centro, passem a ser direcionados para o candidato do PSDB.

 

Essa estratégia vai depender, porém, de um crescimento do tucano nas próximas pesquisas. Porque, caso ele caia, o voto útil pode beneficiar outro candidato, Ciro Gomes (PDT). Para isso, Alckmin vai reforçar os ataques a Bolsonaro e tentar focar sua propaganda em propostas concretas que atraiam os eleitores. E seguir batendo em Fernando Haddad.

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