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11/09/2018 às 13h14

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Redação

Boa Viagem / CE

Tendência de El Niño em 2019 pode acarretar em seca no CE
Segundo a Funceme, o cenário atual se assemelha ao presenciado em 2015, quando houve estiagem
Tendência de El Niño em 2019 pode acarretar em seca no CE
Divulgação

Os fenômenos naturais podem não ser favoráveis para uma boa quadra chuvosa em 2019. Ainda é cedo para definir uma previsão, mas um dos principais fenômenos que influenciam nas precipitações no Estado, o El Niño, segue presente nos monitores da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Segundo o presidente do órgão estadual, Eduardo Sávio, o cenário se assemelha ao presenciado no ano de 2015. Apesar da afirmação, o gestor aponta que só em janeiro do próximo ano haverá uma confirmação sobre o cenário do Ceará.


"Continua essa tendência de aquecimento. É muito cedo para avaliar como essa condição deve estar até o fim do ano. Observamos com preocupação por conta da nossa situação. A quadra (chuvosa) ficou em torno da média, mas o ano, tudo indica, deve ficar abaixo. Temos preocupação em como essa situação estará até o fim do ano e como isso pode impactar na próxima quadra chuvosa", avalia Sávio.


Ainda segundo o presidente da Funceme, um dos principais vetores do fenômeno, o Oceano Pacifico, está fracamente aquecido. "A Bacia do Pacífico Equatorial está dentro da normalidade, mas a tendência é de aquecimento. Tivemos cenários parecidos em anos anteriores, como em 2015. Não quer dizer que vai ser igual, se formos olhar a dinâmica dos oceanos e como a atmosfera responde. Nessa condição do El Niño fraco, ela tem uma variabilidade grande em termos de chuvas no Estado. O El Niño fraco não tem resposta definitiva no Norte e Nordeste porque é preciso ainda de uma previsão do Oceano Atlântico, mas só em janeiro saberemos disso".


Com o intuito de se preparar para qualquer cenário de crise hídrica foi montado um Comitê de Contingência do Governo. "As reuniões se dão de forma semanal. Todo a sinalização de recursos hídricos para o próximo ano ela é feita de forma conjunta. São rodadas simulações de reservatório e que medidas em forma de campanha podem ser elaboradas. A grande verdade é que precisamos ter cautela", conclui Eduardo Sávio.


INFO


Cenário


No prognóstico climático para o trimestre fevereiro, março e abril de 2015, a Funceme apontava condição de El Niño de fraca intensidade. O padrão de ventos em baixos níveis observado em dezembro de 2014 era compatível com o fenômeno.


Os resultados dos modelos de previsão indicavam probabilidade em torno de 50% de persistência do fenômeno no trimestre fevereiro a abril de 2015. Na ocasião, também foi diagnosticado no documento, o aumento da probabilidade de condições neutras no Pacífico. No Oceano Atlântico tropical, as águas estiveram entre neutras a ligeiramente mais aquecidas do que a média na bacia Norte, e entre neutras e mais frias do que a média na bacia.


Conforme a Funceme, essas condições termodinâmicas nos oceanos Pacífico e Atlântico não favoreciam a ocorrência de chuvas no Estado acima da média histórica no início da estação chuvosa, particularmente, àquelas associadas à atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) naquele ano.


Na avaliação do professor Marcelo Soares, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Marinhas Tropicais da Universidade Federal do Ceará (UFC), com o cenário se moldando para poucas chuvas, a solução é a reutilização de água. "Existem algumas ações do Estado, mas é muito pouco. É preciso ir além das indústrias. As residências também fazer. Na Austrália, por exemplo, é uma política pública nacional", salienta o professor Marcelo Soares.


Fique por dentro


Índice de chuvas é negativo neste ano


O Ceará pode finalizar o ano de 2018 repetindo a tendência de seca observada nos últimos sete anos no calendário de chuvas do Estado. É o que prevê dados disponíveis no site da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). No balanço geral feito pelo órgão, o percentual parcial de desvio do total acumulado de chuvas aponta índice negativo (16,5%), abaixo da média histórica, de 800.6 mm. Para o índice padrão ser alcançado, é necessário chover 132 mm até o fim do ano.


O cenário pluviométrico, porém, não prevê um índice maior de precipitação até dezembro, quando começa a pré-estação chuvosa do Estado, que segue até janeiro. A quadra chuvosa engloba os meses de fevereiro a maio. Desde agosto, como é natural, o que se observa no tempo do Ceará é a incidência de ventos fortes e temperaturas mais elevadas.

FONTE: D

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