Segunda, 12 de novembro de 2018
88 9 9688 9654

35º

Min 22º Max 35º

Muito nublado

Boa Viagem - CE

às 14:42
Estado

05/09/2018 às 10h29

127

Redação

Boa Viagem / CE

Fóssil raro de dinossauro encontrado no Ceará está entre material destruído em incêndio no Museu Nacional
“A gente ainda tá tão atordoado, o prejuízo é muito grande, tô muito abalado com isso", diz o paleontólogo da Urca, Álamo Feitosa, sobre o incêndio no museu.
Fóssil raro de dinossauro encontrado no Ceará está entre material destruído em incêndio no Museu Nacional
Réplica de fóssil raro de dinossauro da espécie Santanaraptor Placidus, encontrado em Santana do Cariri, no Ceará, em exposição no Museu Nacional. (Foto: Y. Félix/ Arquivo Pessoal)

Um fóssil raro de dinossauro da espécie Santanaraptor Placidus, encontrado em Santana do Cariri, no Ceará, e outro de crocodilo, descoberto na Bacia do Araripe, estão entre os materiais do Museu de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri (Urca) que estavam emprestados ao Museu Nacional, e podem ter sido destruídos pelo fogo que tomou o antigo palácio da família real, neste domingo (2).





Um incêndio de grandes proporções destruiu o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, Zona Norte do Rio. O fogo começou por volta das 19h30 deste domingo (2) e foi controlado no fim da madrugada desta segunda-feira (3). Mas pequenos focos de fogo seguiam queimando partes das instalações da instituição que completou 200 anos em 2018 e já foi residência de um rei e dois imperadores.




De acordo com o paleontólogo e professor da Urca, Álamo Feitosa, dezenas de materiais que pertenciam ao Museu de Paleontologia estavam emprestados ao Museu Nacional, para contribuir em pesquisas de mestrado, doutorado e pós. Além dos fósseis, peças de aranhas, escorpiões e plantas. Alguns eram descobertas em fase final de estudos, ainda sem publicação científica.




“É comum a gente ceder material pros alunos, é uma cooperação. O empréstimo ocorre dentro de instituições parceiras, o Museu Nacional era meio nosso irmão mais velho, era uma relação muito boa de trabalho, de pesquisa”, explica o professor.




O material estava no Rio de Janeiro há mais ou menos um ano, com exceção do Santanaraptor Placidus, mas já estava retornando para que os trabalhos fossem enviados para publicação, segundo Feitosa.




Pesquisador da Urca, Y. Félix afirma que a espécie de dinossauro encontrada aqui é uma das descobertas mais importantes do país. "Foram encontrados tecidos moles fossilizados, músculos preservados. Talvez seja um dos mais bem preservados do mundo", reforça.




O nome Santanaraptor Placidus foi dado em homenagem ao nome da cidade onde o fóssil foi descoberto, à atividade predatória do animal (um raptor, ou caçador) e ao professor Plácido Cidade Nuvens, ex-reitor da Urca. 


 


Assim como tantos estudantes e pesquisadores que estiveram na frente do museu desde a noite do domingo, o paleontólogo se diz “atordoado” com o acontecido. “A gente ainda tá tão atordoado, o prejuízo é muito grande, tô muito abalado com isso. Eu via o esforço daquele pessoal, tive lá em abril, sempre tem gente de lá aqui e gente daqui lá”, comenta. Ele conta ainda que recebeu relatos de que os estudantes perderam não só os objetos de pesquisa, mas a própria produção textual científica que estava em seus computadores, queimados no incêndio.



“Primeiro nós perdemos peças que não têm mais substitutas. Depois, as pessoas que estavam trabalhando, alunos que tavam se formando em mestrado, em doutorado deixam os computadores nas salas de alunos, nos armários. Olha a situação desse povo! Dezenas e dezenas não têm mais as informações nos computadores nem tem como refazer a pesquisa. Gente de todo o mundo. Estão muito abalados”, relata o professor.




Para o paleontólogo, o caso não foi uma tragédia, mas um crime. “Me perguntam se esse incêndio foi criminoso, eu digo sim. Foi criminoso! Os nossos governantes deveriam ser criminalizados.”




E relembra que a falta de investimento no museu é também dinheiro perdido pelo estado. “O Brasil, no auge do turismo da Copa de 2014, recebeu 6 milhões de visitantes. Isso é o que recebe o Museu de História Natural de Londres. Investir em cultura e em ciência dá dinheiro. Tínhamos peças que só nós tínhamos, e agora não temos mais, tínhamos o que mostrar e não aproveitamos. Perdemos por pura negligência e irresponsabilidade”, lamenta.


 


A maior parte do acervo do Museu Nacional, de cerca de 20 milhões de itens, foi totalmente destruída. Fósseis, múmias, registros históricos e obras de arte viraram cinzas. Pedaços de documentos queimados foram parar em vários bairros da cidade.




FONTE: G1

O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos o direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas. A qualquer tempo, poderemos cancelar o sistema de comentários sem necessidade de nenhum aviso prévio aos usuários e/ou a terceiros.
Comentários
Veja também
Facebook
© Copyright 2018 :: Todos os direitos reservados
Site desenvolvido pela Lenium